Open Banking — uma maneira simples de entender

Surgem as tecnologias e com elas surgem novas palavras também. Para quem não é do meio parece um idioma estranho, mas com paciência e abstração é possível compreender conceitos aparentemente complexos.

Vou falar sobre a tecnologia do open banking. Uma tradução literal do inglês para o português significa Serviço bancário aberto”, sendo a expressão bem fiel ao conceito que traz. Surge a questão, um banco aberto para quê ou quem?

O banco que abre as informações de seus usuários para outras empresas ou serviços, com a autorização expressa de seus clientes.São dados coletados pelos bancos como renda mensal, empréstimos e investimento . Facilmente intercambiáveis com outras plataformas, podendo ser usados por outras empresas.

Mas, analisando do ponto de vista do microssistema, isto é, daquele indivíduo que tem uma conta no banco, quais são as vantagens dessa tecnologia?

Quais são os benefícios práticos para o correntista?

A partir do momento em que o cliente pode compartilhar seus dados, ele pode escolher com quem quer compartilhá-los e assim os dados se tornam uma moeda de troca. Os dados hoje já são comercializáveis, no entanto, sem conhecimento e autorização dos indivíduos a que se referem.

Essa realidade já vem mudando desde a edição recente da Lei Geral de Proteção de Dados, como evidência a presença de alertas em sites sobre o uso de cookies (uma tecnologia que armazena informações sobre as atividades do usuário na internet). O open banking então surge nesse contexto de apoderação dos próprios dados.

Assim, o cliente pode escolher o que será feito com suas informações bancárias, se quer ou não compartilhá-las e com quais aplicativos ou bancos quer compartilhar. Isso torna mais fácil, por exemplo, a migração para uma outra instituição bancária, visto que o intercâmbio das informações ocorre de forma rápida, sem burocracias e de maneira simples.

Seria como ter um relacionamento e quando terminar , todos os arquivos que compartilharam pudesse ser acessado pela próxima pessoa que se relacionar. Ok, não parece tão legal…mas é! As relações acabam ficando mais transparentes e as chances de se decepcionar também diminuem, do ponto de vista de uma empresa, por exemplo, ela pode ver se o cliente é um bom pagador e quais as chances de levar um calote.

Vendo o histórico de 20 anos de uma pessoa no banco concorrente, a empresa poderá avaliar quais são as chances de levar calote, logo as taxas de seus juros poderão ser menores, com o custo de eventuais demandas judiciais tendendo a cair, já que ela saberá com mais certeza para quem emprestar ou não dinheiro.

As taxas com empréstimos bancários, portanto tendem a diminuir já que os custos nelas inseridos relativos à inadimplência também devem diminuir, de forma que o pequeno empreendedor terá mais oportunidades nesse cenário.

E as vantagens para quem abre as informações?

As instituições financeiras tradicionais podem aproveitar essa abertura de dados e informações para se integrar às novas cadeias de serviços e oferecer novos produtos, gerando novas fontes de receitas. Além de ter acesso a informações que antes não tinham, um banco como o Bradesco, por exemplo, pode se beneficiar das informações de clientes do Nubank, de forma a aprender o que a geração X, Y, Z… espera das suas relações bancárias.

Falando em termos amorosos, o open banking é o famoso relacionamento aberto, com 2, 3, 4, 5…infinitos parceiros. E ninguém sai perdendo. Os grandes bancos podem se assustar com a possibilidade de perderem seus oligopólios, mas não há motivo para tanto, porque, para quem se manter atualizado, haverá espaço.

Imagem retratando o banco e seus múltiplos parceiros, cujo meio tecnológico de intermédio são as APIs.

O open banking funciona por meio de APIs abertas. Ok, mas o que é API (application programming interface)?

É o elemento de um sistema que constitui a interface para falar com outros sistemas. Vamos lá, “interface” é como se fosse uma porta física, sim, essas de abrir e fechar quando você vai ao banheiro da Starbucks e tem que colocar a senha na tranca. Se a API é fechada, apenas poucas pessoas tem a possibilidade de colocar a senha de acesso e abrir essa porta; se a API é aberta, temos um banheiro público no qual todos podem colocar a credencial podem ter acesso.

Em termos tecnológicos (e menos vulgares), a ideia das APIs abertas é possibilitar que diferentes softwares e serviços possam ser integrados. Isso permitiria o surgimento de um ecossistema de produtos e serviços financeiros ao redor das instituições bancárias em posse dos dados.

Agora, para os mais atualizados, vocês devem saber que o Banco Central do Brasil (Bacen) regulamentou o open banking, o que torna essa realidade mais próxima ainda.

Os principais pontos, entre outros, tratados na regulamentação são (i) o consentimento do usuário para compartilhamento de dados; (ii) a existência de um canal de suporte técnico a respeito desse compartilhamento; (iii) a permissão para que os dados sejam compartilhados com entidades não autorizadas pelo Bacen (a maioria das fintechs); (iv) o papel ativo do Bacen nas convenções entre entidades participantes, sendo prevista sua participação.

Além disso, a regulamentação prevê que a implementação do open banking ocorra em 4 fases, de modo a permitir que os agentes bancários possam se adaptar ao novo cenário:

Fase 1 (até 30/11/2020): as instituições participantes deverão disponibilizar informações sobre seus produtos e serviços e canais de atendimento aos usuários.

Fase 2 (até 31/5/2021): os clientes podem autorizar ou não o compartilhamento de seus dados entre as instituições participantes.

Fase 3 (até 30/8/2021): transações de pagamento. Nessa fase, inicia-se o alinhamento entre a tecnologia do Open Banking e a tecnologia dos Pagamentos Instantâneos (PIX). Aparece a figura do iniciador de pagamentos que possibilita os pagamentos ocorrerem fora do ambiente do banco, de forma que uma transação do Banco Itaú, por exemplo, pode se dar por meio de um aplicativo externo ao app do próprio banco.

Fase 4 (até 25/10/2021): ampliação do escopo de dados, ou seja, os dados poderão ser usados não apenas para fins de pagamento, mas também para operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta.

Por fim, não posso deixar de falar sobre como a tecnologia do open banking e a dos pagamentos instantâneos (PIX) se integrarão. Que estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Entre essas duas tecnologias (open banking e pagamentos instantâneos) haverá uma relação de mutualismo, ou seja, uma favorecerá a outra. Com a imediaticidade dos pagamentos propiciada pelos PIX, mais negócios serão feitos e a máxima “tempo é dinheiro” será mais verdade do que nunca. E mais negócios sendo feitos significa maior interação entre os bancos e as empresas fornecedoras de bens e serviços, já que (pelo menos por enquanto) o dinheiro digital está armazenado nos bancos. E o open banking é exatamente isso! Maior interação entre bancos e empresas. Veja que a interação entre essas tecnologias deve ocorrer na Fase 3, em que os consumidores poderão realizar transações para pagamento.

Tal fase deve ser implementada até agosto de 2021, logo o cenário (bem) próximo é o de maior circulação de dinheiro, bens e serviços e o surgimento de outras formas de monetização, como novas formas de aproveitar o compartilhamento de dados.

Vale mencionar que o Banco Central do Brasil, quanto aos pagamentos instantâneos, já iniciou em 2018 um projeto para implementá-lo e a expectativa é que entre em operação no dia 16 de novembro de 2020.

Marca criada pelo Banco Central para o método de pagamento PIX

Pode-se concluir, então, que, em breve, o PIX se tornará parte do nosso cotidiano e não mais uma novidade, assim como ocorrerá com o open banking.

Links:

Artigo sobre o PIX — https://medium.com/pay-ventures/o-que-%C3%A9-o-pix-65ecd11d1ee5

https://blog.nubank.com.br/o-que-e-open-banking/

https://www.infomoney.com.br/consumo/open-banking-o-que-e-e-como-funciona/

http://www.pinheironeto.com.br/publicacoes/banco-central-publica-regulamentacao-definitiva-do-open-banking-no-brasil

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